my best wishes always chase you like a shadow. best of luck

terça-feira, 29 de agosto de 2017

a SS tuga



            Por estes tempos já a água é mais apreciada que o vinho, já se  agradece uma boa digestão ao invés de uma boa degustação, já se lê filosofia  e  se adormece, como nos  romances e ficção cientifica, a política tornou-se num labirinto auto renovável de poderes de Pirro com muitos egos e pouca mestria. Com sessenta anos de vida uma pessoa deve ser mais culta do que em tempos de testosterona e adrenalina assegurada pelo rapto das hormonas ao nosso ser.
            Ninguém quer saber dos sessenta anos, são os ‘s’s, é pouco, são trinta mais trinta anos, é pouco tempo... mas muito espaço, muita aprendizagem para quem acordou do rapto e controlou assim assim as hormonas.
            Comecei a trabalhar aos dezoito anos, poucos depois do 25 de Abril, que para mim durou um ar, primeiro fui o mais básico dos empregados numa quinta que era uma instituição asilo para doentes mentais e que pouco tempo antes era ‘gerido’ pela policia, em Portalegre, no momento descrito era gerido por um psiquiatra e vários enfermeiros, uma miséria de que nunca falam por vergonha de certeza.
          O estabelecimento era do Estado, não sei se cumpriam as leis do trabalho, mas  se cumpriam as leis estas eram uma coisa medieval.
        A seguir e por talvez ter mostrado dotes acima do normal na psique dos doentes, despediram-me e apareci como operário semi-especializado numa fábrica, também em Portalegre, um trabalho ao nível do meu intelecto, e de tudo o que um jovem quer da vida, houve quem gostasse!! , entretanto fui chamado para a tropa, para Santa-Margarida, com poucas habilitações ou seja o Liceu incompleto, deu soldado raso sem motivação alguma,  fiz a recruta, houve 'aquelas' cunhas e fui dado como incapaz para todo o serviço militar, um desperdício como cabo.
          Sem que soubesse como nem quando, fui colocado num banco em Portalegre, afinal aquilo já era para gente muito inteligente, era um prémio por ter uma família protegida. 
O trabalho num banco é um atentado à inteligência de qualquer ser humano que queira um dia ser livre, e dar azo a tal, à liberdade de fazer coisas de uma maneira inteligente, o contrário do trabalho bancário.  
          A minha vida começava a ser psicologicamente insustentável, padeci de ciumes e provoquei uma bronca, fui despedido com justa causa, a família e a humilhação  acabou por ali mesmo, 24 anos.
        Depois de uma saída de Portugal, mais para tentar encontrar alguém inteligente, do que fugir fosse do que fosse, e para trabalhar, heis  que a minha estada foi trucidada por uma breve relação com uma miúda suíça, esta abalada pela bem informada maçonaria que sugerira aos seus Pais que eu tinha deixado uma família à mingua em Portugal e estava fugido não da justiça ou da policia mas da mais alta lei social a da submissão à escadinha de entidades que culminam no papa ou no chefe da loja.
         Consciente da reputação aniquilada fiz-me à vida e fui trabalhar para alguém que sem querer, acreditou que eu não era cabo nem estafeta.
         Estudei programação de computadores, fiz formações, ajudei a fazer sistemas e tive o êxito possível numa Instituição onde os vencimentos tinham recibo com descontos, era o clube de futebol SLB. Ao fim de dez anos casei de novo, novo disparate, despedi-me e  fui para os Açores, ilha de S. Miguel.
      Estava a trabalhar na Regisconta, aquela máquina, Açores, onde também tinha um recibo de vencimento, não faziam três meses quando num desses recibos vem um desconto por ordem do tribunal, era um desconto devido à mãe dos meus filhos como complemento à educação dos mesmos. Uma calamidade, pois com o meu vencimento mal chegava para relançar uma vida solteira quanto mais uma de casado, mas o principal que era de facto se os meninos tinham falta de algo, não interessava, o foco era dar-me uma lição moral com punições do foro económico, onde eu sempre fui tão forte, a Mãe em causa é  boa pessoa, mas eu também sou.
        Despedi-me na hora e fiquei a trabalhar a recibos verdes como fornecedor de serviços de programação. O que ganhava por ano não chegava  ao montante do que ganhava um operário fabril, sem subsídios nem regalias.
É necessário ter em conta que os meus filhos nunca careceram de nada materialmente, nem podiam. Se acharem o contrário mesmo por uma questão formal, queiram fazer o obséquio de verificarem por vocês mesmos como vivem cada um deles tal como a Mãe, desde então até aos dias de hoje.
        Desde aí,sempre passei recibos verdes que passaram a ser azuis.
Os descontos eram feitos pelos meus compradores de serviços, visto estes não serem dispersos pela natureza da região onde exercia o meu trabalho de programador, de designer e de formador, o principal local de trabalho foi na Clínica do Bom Jesus em Ponta Delgada, mas houve mais.
           De programador a cozinheiro.
          Nunca deixei de pagar mediante as leis, as somas a que tais rendimentos do trabalho obrigavam, ultimamente eram contabilistas a fazê-lo por mim pois a leitura continua de leis e suas interpretações são actividades bem remuneradas para as quais não tenho inclinação, é uma das razões de azia de fundos.
          Depois de umas voltas pelo Mundo, duns acidentes e muito trabalho, voltei cheio de vida e sempre sem fortuna.
          Depois de ter trabalhado um ano lectivo numa escola de hotelaria, para a qual tive de obter certificados de não devedor a todos os organismos e mais alguns, heis que por vicissitudes fiquei a acompanhar os meus pais de noventa anos  na mesma cidade da escola em Portalegre, desempregado, mas com alguma vontade de me mobilizar num qualquer projecto fora da zona que é inóspita, inconsequente e onde tenho problemas até como formador/cozinheiro pelos vistos.
          Passado um ano ou mais, uma amiga arranjou-me um trabalho de formação culinária em Castelo de Vide, lá pedi os certificados de não devedor e lá fiz o mês de formação, mil euros, foi quanto venci, quando fui para levantar algum dinheiro, tinha a conta trancada por ordem da Segurança Social e mais, a CGD já tinha aberto também um processo por ter a conta à ordem a descoberto sem autorização nem colaterais.

          O que chateia é que eu sou feliz e sei o que sei sem fazer grande esforço.  
Não gosto do Estado Português e muito menos das suas tradições parolas e católicas transvestidas de republicanismo e democracia, descendo de gente muito educada há séculos e não tenho vergonha de mim perante ninguém e muito menos medo, isto chateia muita gente.

         Eu sei que as pessoas em certos lugares tem o poder prepotente de sabotar um qualquer cidadão que para mais saibam não ter munições para ripostar ou achem que não existe capacidade moral para desafiar uma instituição gigante como a Segurança Social ou CGD, eu sei.
            Perante tal decidi passar os olhos pelas páginas do meu catalogo de activos, e descobri como devo pagar o que não devo e como devo responder a quem decerto não me quer bem.
            Em frente a um juiz, depois a outro até algum que faça contas e consiga resumir o que ganhei e o que paguei a saldo 0, um pedido de desculpas não era mal vindo e a respectiva correcção nos serviços que tem um centro de excelência na AISS e deviam aprender a fazer o serviço no âmbito da  humanização dos processos e não na dissociação das pessoas dos mesmos.
         Quem são os senhores que decidem estas coisas... mesmo localmente? Continuam a ser os mesmos parolos só que com trejeitos da pequena burguesia e smartphones, mas não sabem o que é um bit. A sério?, esperem ... estou a ver ao longe outro activo a penhorar, talvez este salve o planeta, há!...uf!... já está dentro dum saquinho do pingo doce.

A Clara Ferreira Alves explica o que é este País muito melhor do que eu, também está mais motivada, acho mesmo que o Expresso passou a ser só ela, o resto leva isto a sério, acham-se importantes neste filme mal amanhado, a vida é muito mais do que um qualquer Portugal, e na vida não existe tal coisa, Segurança social, só na sociedade, essa bosta.


Atenciosamente